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MUSVIRTUS-SM

Fundamentação Teórica

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Fundamentação Teórica

As características de recriação de espaços museais e de acervos museológicos é
na atualidade uma fronteira que deve ser ultrapassada a partir do que
consideramos ser o mais importante na concepção de museus, a saber, o
reconhecimento do visitante enquanto sujeito do conhecimento na visitação,
possibilitando a apropriação da sua cultura a partir da ressignificação do seu
acervo em exposição. Isso porque recriar espaços museais e constituir, pela
manipulação de um banco de dados, outros acervos museográficos implica não
só a apropriação e reapropriação desses lugares de memória, mas a realização
de uma ação prospectiva no sentido do sujeito/visitante criar suas próprias
exposições museográficas. Essa possibilidade na atualidade da realidade dos
museus edificados e virtuais é vetada ao visitante, ou melhor, do
sujeito/visitante, na medida em que não lhe é possível intervir ideologicamente
nos acervos museográficos. Nesse sentido, aclara Ana Beatriz Bahia: "Um
banco de dados informacional é uma coleção de dados estruturados de maneira
particular a fim de tornar a busca e a visualização dos itens o mais eficiente e
flexível possível. Os tipos de bancos existentes (como os modelos hierárquico,
relacional e orientado ao objeto) diferem apenas no método adotado para tanto,
pois em todos temos a negação da sequencialidade, característica marcante nas
salas expositivas dos museus presenciais. Isso não quer dizer que a estrutura
de banco de dados possa liberar o museu [que seja virtual] daquilo que lhe é
inexorável – a dimensão ideológica de todo o discurso museográfico –, mas tem-
se ali a opção de reunir os itens da coleção sem predefinir um
desencadeamento temático, um começo e um fim de visualização do acervo".
Entretanto, a estrutura do banco de dados do Museu Virtual da Casa Sul
Mineira: Lugares de Memória das Famílias, entre os Séculos XVIII e XX, deverá
permitir essa intervenção ideológica no discurso museográfico, porque o
conteúdo do acervo, consequentemente do seu banco de dados, será o
inventário primário dos bens culturais das famílias sul mineiras. Nele estarão
objetos culturais e os seus indicadores de presença: ano, dia, mês em que foi
detectada sua presença; a comarca (município); a forma em que se encontrava
diante de inúmeras características; a frequência com que surgiu em uma e em
todas as comarcas; sua evolução com o passar dos anos e todas as formas por
ele adquiridas (configuração, material de que era feito, tipos de madeira, por
exemplo); suas características funcionais, ademais de ser possível obter esses
indicadores de presença por década e por classes de riqueza, ou seja, qual a
riqueza da família em que tal ou tais objetos apareceram e assim oportunizar,
talvez pela primeira vez, a possibilidade de um visitante constituir um acervo
museográfico com bens culturais relacionados com as respectivas classes
sociais, em diversos intervalos de tempo, e correspondê-los a diversos
ecossistemas: Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga e suas respectivas áreas de
transição, nos três grandes horizontes culturais da história-espaço brasileiros.